domingo , 25 agosto 2019
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Exportação de frutas cresce 20% e incentiva ainda mais o mercado brasileiro

Exportação de frutas cresce 20% e incentiva ainda mais o mercado brasileiro

Expectativa é que o setor embarque US$ 1 bilhão em 2019 e dobre este valor nos próximos dez anos graças ao acordo Mercosul – União Europeia.

O Brasil exportou 20% a mais de frutas neste primeiro semestre de 2019, sobre o mesmo período do ano passado, e vai consolidando uma plataforma de ampliação dos negócios com o exterior, principalmente com os mercados exigentes e que remuneram melhor os produtores. O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do planeta, mas exporta apenas 2,5% do que colhe. No ano passado, embarcou 878 mil toneladas de frutas in natura e processadas. As principais foram manga, melão, abacaxi, melancia, limão, uva de mesa, mamão e abacate. Mesmo assim, está apenas na 23ª posição no ranking dos países exportadores.

Para 2019, a expectativa é alcançar o recorde de US$ 1 bilhão em vendas. “Temos de abrir novos mercados, apostando num crescimento de até 15% ao ano. Em cinco anos, seriam até 75% de aumento. E dobrando as exportações para US$ 2 bilhões em dez anos”, explica Luiz Roberto Barcelos, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Nesta perspectiva, a importância da certificação dos processos produtivos nas lavouras brasileiras é fundamental já que os países importadores que melhor remuneram os produtores fazem esta exigência. “A certificação no segmento das frutas vem crescendo fortemente, pois os consumidores querem cada vez mais segurança alimentar, no mundo inteiro. O Mercado está muito promissor para empresas e produtores brasileiros. Evoluímos bem até agora com abacate, melão, figo, limão, manga, mamão e banana. São variedades muito procuradas, principalmente pela Europa e África do Sul. Agora, o Brasil trabalha para abrir mercados novos, como Emirados Árabes e a China, com quem estamos fechando alguns ajustes sanitários para o melão. Entendemos essa questão e estamos mostrando como é estruturado o nosso sistema produtivo. Temos mecanismos para isso. Se conseguirmos algo semelhante ao que ocorreu no caso da carne bovina com o gigante asiático, onde eles entraram com tudo, vai ser espetacular”, analisa o Gerente de Certificação do Serviço Brasileiro de Certificações (SBC), Matheus Modolo Witzler.

O SBC é uma empresa líder no mercado de fazendas certificadas para exportação de carne bovina à Europa e desde setembro do ano passado está atuando com produtores de frutas, legumes e verduras que desejam exportar para mercados exigentes, como a União Europeia, utilizando a mais importante certificação internacional de Boas Práticas Agrícolas, o GLOBALG.A.P.

Ao participar da gravação do programa ‘Mercado Futuro’, no Canal do Boi, Matheus Witzler enfatizou que inúmeros países compradores não conhecem em detalhes a capacidade da produção tropical de frutas dentro do Brasil.“Estados Unidos, Canadá e Europa são os nossos maiores compradores. Mesmo assim, ainda embarcamos poucos produtos que os europeus já conhecem. E temos várias opções, como abacaxi, maracujá e acerola. É um desafio para nós, do setor, oferecermos essas frutas mais robustas, desenvolver novos produtos”,reconhece o executivo do SBC Certificações.

Outro caminho importante é aproveitar as possibilidades abertas com o Acordo Comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia. O acordo deve ser bastante favorável, ainda que alguns impostos não tenham desgravação imediata da tarifa, caso de limões e limas, melancias e melões, por exemplo, que devem ter as tarifas zeradas em sete anos. Para a Abrafrutas, não deve haver cotas para a exportação de frutas – sendo a isenção aplicada à totalidade enviada pelo Brasil. Assim, o ganho de competitividade pode, inclusive, motivar uma maior participação das vendas externas frente às internas. Das frutas citadas, apenas o melão tem grande porcentagem da produção destinada à exportação.

Já o mercado interno também é alvo do segmento, tanto para o fornecimento como para a necessidade dos agricultores recorrerem à certificação do sistema produtivo, atingindo consumidores mais exigentes e especializando ainda mais o trabalho no campo. “Neste caso, o GlobalG.A.P é a certificação mais conhecida e presente no mundo. E muitas propriedades nossas já possuem boas instalações e práticas agrícolas adequadas. Certificação não é processo complexo. Basta o produtor entrar em contato com a certificadora ou uma consultoria e entender as normas”, aconselha Matheus Witzler.

O mercado brasileiro é composto de mais de duzentos milhões de consumidores, um dos cinco maiores do planeta. Mas Matheus Witzler reforça que o país deve se preocupar com padronização. “Cada vez mais, o que importa para qualquer cliente é a segurança dos alimentos, são as boas práticas. Nossas principais regiões produtoras estão cada vez mais eficientes. Casos de Petrolina (PE), Mossoró (RN), Juazeiro (BA), interior de São Paulo, Janaúna (MG) e Friburgo (SC), por exemplo. São agricultores muito rigorosos. Precisamos demonstrar a segurança do alimento aos compradores e consumidores. E acompanhar as atualizações do GlobalG.A.P. para sempre oferecermos segurança total dos alimentos”, finalizou o Gerente do SBC Certificações

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