segunda-feira , 30 março 2020
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Cultura Organizacional em tempos de Coronavírus

Cultura Organizacional em tempos de Coronavírus

Por Léia Wessling*

Crises são poderosas circunstâncias que fazem com que pessoas e organizações sejam desafiadas a tomarem decisões novas e sobre circunstâncias consideradas improváveis. O Mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) se apresenta não apenas na economia, mas nos diversos campos da convivência global, e agora, com a pandemia do coronavírus.

Cultura organizacional é definida como “o modo como as coisas são feitas por aqui”, em qualquer ambiente: público, privado, familiar, social, comunitário e/ou organizacional. Em crises, a cultura organizacional aparece muito mais espontânea e livremente. Os medos, egos e impulsos podem levar lideranças tanto a ignorarem as circunstâncias, como a evidenciarem o coletivo, o cuidado e o trabalho conjunto. Empresas em processos de transformação cultural podem encontrar neste momento, oportunidades para revisitar ou reforçar suas crenças e também para ampliar seus modelos de relacionamento e confiança.

Gerir mudanças torna-se essencial neste momento. Mas, como fazer fluir processos e sistemas de crenças, valores e comportamentos suficientemente capazes de elevar a consciência e os resultados de longo prazo, mesmo com as perdas de curto prazo geradas pela crise? Como elevar as condições de aprendizagem, inovação, confiança, cooperação, fazer a diferença, propósito e ética em circunstâncias onde as emoções como o medo, a raiva, a tristeza, assim como os riscos de perda da saúde, da rotina, da convivência física, dos contratos de serviços, de retornos financeiros, estão tão evidentes?

Com o objetivo de contribuir com organizações e lideranças para enfrentarmos juntos esta crise de um jeito leve, saudável e produtivo, compartilho aqui experiências e insights para contribuir com as iniciativas em curso.

1) VISÃO ORGANIZACIONAL: construir uma visão organizacional sobre como a empresa se posiciona diante desta crise é o primeiro passo. As lideranças precisam de um alinhamento para interagirem com suas equipes. O excesso ou a falta de informações tira a energia e a clareza de todos. A função da liderança é trazer luz sobre o momento que estão passando e quais as ações necessárias para enfrentamento, mesmo quando não dispõe de todas as respostas, tudo bem, o importante é compartilhar a visão até aqui.

2) PREVENÇÃO E ENGAJAMENTO: líderes são gestores de crises, e seus comportamentos indicarão a seriedade das ações preventivas e a importância e cuidado que a empresa dá para a saúde das pessoas, sejam colaboradores, fornecedores, clientes ou comunidade. Por isso, torna-se tão relevante que lideranças estejam treinadas, realizando os procedimentos definidos e orientando as pessoas neste sentido.

3) NOVOS MÉTODOS E MODELOS DE TRABALHO: é hora de deixar fluir e de ampliar os novos métodos e modelos de trabalho.  Aqui, inclusive alguns cuidados podem ser tomados junto às equipes, para que este processo seja equilibrado.

– Trabalhar fora do escritório tende a evitar a proliferação do vírus e pode ser uma ótima oportunidade para exercitar este modelo cada vez mais usual.

– Ao contrário do que se pensa, trabalhadores remotos passam muito mais horas concentrados e produtivos, precisando muitas vezes de ajuda para realizarem intervalos e descansos necessários.

–  Ao estabelecer novas políticas e procedimentos para o trabalho remoto e outras modalidades, traga a cultura e seus valores para dentro destas definições. Promova diálogos entre as lideranças e com as equipes sobre “como podemos expandir nossos valores neste momento?” Sua equipe com certeza tem as melhores respostas. Se sua empresa apoia a diversidade, por exemplo, tenha clareza sobre como serão os cuidados com os diferentes perfis dentro dos grupos de risco.

– Não basta apenas autorizar um novo formato de trabalho, você precisará fornecer suporte (orientações, priorizações, sistemas e informações), recursos (equipamentos, acesso à internet, tecnologias) e trabalho em equipe (videoconferências, chats de projetos, manutenção do contato entre as pessoas).

– Acompanhar as condições de saúde das pessoas, tanto nos aspectos físicos quanto emocionais. Para isso, procure manter as inter-relações, as trocas e uma atitude positiva por meio de chats, compartilhamento de novos hábitos no trabalho remoto, encontros de café virtual, informação de status familiar e social e apoio as iniciativas que venham garantir maior saúde e bem-estar para todos.

Não sabemos por quanto tempo esta crise vai perdurar. É uma variável pouco controlada no Mundo VUCA. Mas, sabemos que com informação, consciência e novos hábitos de vida e de trabalho podemos continuar criando soluções que melhorem a vida das pessoas. E este é o propósito nuclear de organizações dirigidas por valores, aquelas mais preparadas para responderem por suas ações, por causarem impacto positivo na sociedade e por terem resultados sustentáveis.

Léia Wessling é consultora organizacional há mais de 20 anos, cofundadora e diretora da Light Source Cultura, Gestão e Governança e autora do livro “Mindset – Liderança Estratégica”.

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