segunda-feira , 21 outubro 2019
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A Revolução na Indústria Alimentícia requer inovação em processos sóbrios

Empresas e instituições, em todo o mundo, compreendem as mudanças no cenário da alimentação e realizam inúmeras propostas. Nesse contexto, é necessário que as soluções abranjam toda a cadeia alimentícia, considerando os hábitos e a saúde do consumidor, a segurança alimentar, propostas que minimizem desperdícios e apresentem embalagens sustentáveis.

As mudanças contemporâneas trazem o vislumbre de muitas transformações. As tendências como escassez econômica, mudanças no hábito de vida dos consumidores, a crescente preocupação com saúde e bem-estar e o avanço da era digital, impulsionam o Mercado da Inovação em Alimentos. Segundo um estudo do banco suíço UBS, uma revolução alimentícia garantirá um mercado de U$ 700 bilhões até o ano de 2030. Atualmente, startups são cada vez mais requisitadas para atender o interesse econômico da Indústria Alimentícia frente as tendências, ao passo que inúmeros temas são difundidos popularmente, como alimentação orgânica e saudável.

“Diante de um cenário de mudanças, é esperado uma grande profusão de informações. Inúmeras propostas de produtos já apontam no mercado sob a rotulagem de serem de origem vegetal, orgânicas, sustentáveis, entre outros atributos. Neste momento, é necessário avaliar essas afirmações dentro de uma perspectiva científica. Algumas perguntas são necessárias, a exemplo, como sabemos se determinado produto é um real substituto às proteínas da carne? Que estudo comprova tal fato? Faz-se necessário muito cuidado com informações pseudocientíficas, pois a Indústria de Alimentos tem forte responsabilidade.  Uma revolução verdadeira na indústria de alimentos deve priorizar ações de inovação que envolvam completamente o que chamamos de Food System, ou seja, a completa cadeia de produtos alimentícios” disse Paulo Silveira, idealizador do Food Tech Hub Brasil, ecossistema que integra diversos atores da cadeia como ventures, universidades, indústrias, empreendedores e instituições governamentais, visando a geração de novas ideias e inovação ao Mercado de Alimentos.

O Food System define a cadeia de produtos alimentares e é estabelecido por etapas completas. A inovação nesta cadeia deve reunir suas etapas, que incluem as definições do hábito do consumidor, as demandas de saúde, o desafio em se desenvolver processos sustentáveis de produção, a utilização dos ingredientes naturais, a distribuição de alimentos evitando o Food Waste (Desperdício de Alimentos) com IoT e as formas de venda, como em plataformas digitais. “Ao propor inovações, é necessário considerar todas as etapas dessa cadeia. A forma de consumir, por exemplo, deve ser tangenciada com o meio de vida corrido das pessoas, que não têm mais tempo para preparar refeições na base de comidas naturais, feitas em casa. Mas mais que isso, o desenvolvimento de alimentos deve considerar a saúde de quem consome. São prioridades fatores como o shelf-life, que define o tempo de vida do produto, e o food safety, que define a segurança alimentar. Cada fator deve ser confirmado com respaldo científico, baseado em testes, pesquisas, comprovações. É isto que tomamos como desafio no ecossistema do Food Tech Hub Brasil” afirmou Paulo Silveira, sobre a necessidade de se observar os processos da cadeia alimentar com respaldo científico.

Questionado referente as novas propostas apresentadas no mercado, Paulo Silveira afirmou haver melhorias, especialmente no que tange a redução requerida de sal, açúcar e gordura nos alimentos. Outras novidades são propostas de embalagens menos impactantes ao ambiente.  Mas é preciso atenção no tocante a promessas nutricionais. “São estudos e pesquisas que validam o quanto um produto é saudável e apropriado. Há muitas promessas de produtos que substituem, como dito a pouco, a carne, com constituição de vegetais, o que atrai muita gente, pois o viés de produtos orgânicos, naturais, tem falado alto. Porém, carecemos de muita comprovação. Há estudos de carne desenvolvida em laboratório, em Israel, mas o custo ainda é proibitivo. Uma almôndega pode custar USD 8.000! Produtos como esse fazem parte de iniciativas científicas. O preocupante, sobre as soluções atuais, é que as pessoas já acreditam estar consumindo produtos saudáveis, quando o que falta, é uma constatação de sua eficiência quanto a nutrição”, falou Silveira sobre a carência de pesquisas e estudos por parte de novos produtos.

Com o objetivo de impulsionar a inovação em alimentos, Paulo Silveira, como idealizador da Food Tech Hub Brasil, propõe o incentivo a verticais como os investimentos em produtos e sistemas produtivos, inovação em embalagens, com propostas mais sustentáveis, ação inteligentes, que evitam o desperdício e a segurança alimentar. Em um Ecossistema de Inovação, o Hub traz as forças das universidades, Instituições Governamentais, o investimento de ventures, a participação de empreendedores e da indústria de Alimentos, todos integrados para propor novas soluções para cadeia alimentícia. “O Food Tech Hub Brasil reúne forças que se movimentam com a iniciativa científica de Institutos de Pesquisas e Universidades, junto a Indústria e o Organismos Governamentais. Startups que desenvolvam tecnologias, métodos e insumos com visão em necessidades de uma escala global, mas com foco na biodiversidade brasileira, se integram como empreendedores desse Ecossistema. Nosso objetivo é acelerar o desenvolvimento na Indústria de alimentos. Assim, acreditamos que a verdadeira reinvenção alimentar, que culminará na Revolução da Indústria de Alimentos, terá o seu lugar através da inovação que se dá com aplicação de processos sóbrios, sempre com a comprovação científica” declara Paulo Silveira, sobre como o Food Tech Hub Brasil trabalha pela inovação alimentícia.

Questionado sobre o interesse crescente sobre produtos orgânicos, Paulo Silveira afirmou que é preciso desenvolver escalas que identifiquem sobre a autenticidade desses produtos. “É preciso comprovação sobre a segurança desses alimentos, bem como o frescor para o consumo. Existem riscos de contaminação. É necessário escalar processos que mensurem a qualidade desses produtos. Um desafio verdadeiro quanto aos produtos é garantir o shelf life, uma vez que sem aditivos, não duram muito tempo. Um mercado de orgânicos requer consumidores que tenham o hábito de comprar produtos frescos, de forma cotidiana, no ponto de vista comportamental. São vários os fatores que determinam a aplicabilidade de uma solução alimentar. Mas, infelizmente, muitos são os mitos sem comprovação. Há processos, considerados artificiais, que são altamente benéficos. Um exemplo disso é o processamento de alimentos através de ultrassom, que com ondas, reduz o sal dos alimentos. Certas confusões de terminologia confundem as pessoas sobre soluções como essa, como as causadas por quem diz que alimentos ‘ultraprocessados matam’.  O alimento processado com ultrassom não equivale a esta ideia. É uma saudável solução para reduzir o sal. É preciso remover muitos mitos e isso é possível com estudos, pesquisas e comprovação científica” – concluiu Paulo Silveira.

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