domingo , 8 dezembro 2019
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Polo Industrial de Manaus já tem modelo de medição do grau de maturidade e prontidão da Indústria 4.0

Os resultados, além de inéditos, são surpreendentes quando computados as dimensões específicas de: produtos, manufatura, estratégia, negócios, logística e interoperabilidade.

Com o advento da quarta revolução industrial e suas características tecnológicas, a indústria brasileira tem procurado mapear os possíveis caminhos que deverão seguir para o alinhamento quanto à manufatura avançada. Vale ressaltar que um ponto relevante na Indústria 4.0 é a inserção profunda da tecnologia da informação (TI) e tecnologia da automação (TA) na manufatura e seus respectivos efeitos na capacidade, na agilidade e responsividade.

Inserido neste contexto, os Polos Industriais do Brasil devem iniciar o processo de transformação digital, considerando a sua realidade, sua operação, modelos de negócios específicos e a tipologia produtiva. Portanto, a medição do grau de maturidade e prontidão da indústria 4.0 servirá de base para os futuros roadmaps empresariais, mas sobretudo para o entendimento do real posicionamento de nossa indústria face aos novos conceitos da 4ª. revolução industrial.

Na literatura internacional, pode-se encontrar diversos modelos de medição, da maturidade e prontidão, considerando diversas variáveis, estágios e abordagens, contudo era preciso contemplar as características de nossas operações, a respeito da nossa manufatura, da logística e do ecossistema empresarial e da interoperabilidade, considerando as diversas realidades industriais brasileiras.

No Brasil foi desenvolvido um modelo de medição, com robustez científica, com eixos pré-determinados (tecnologias e operações, ecossistema de negócio e interoperabilidade), orientado para a realidade da indústria nacional. Vale o registro que o modelo possui uma ampla possibilidade de customização (porte e segmento).

Tais eixos possuem dimensões específicas, que por meio de um modelo matemático, relacionam-se entre si, contemplando quase 50 variáveis demonstrando sua aderência aos conceitos da indústria 4.0. O indicador resultante aponta 4 níveis: 1- Digital; 2- Tecnológico; 3- Transição e 4- Avançado, com uma escala de interseção entre eles.

Primeira sondagem do indicador do Polo Industrial de Manaus

Considerando o teste piloto desenvolvido no âmbito do Polo Industrial de Manaus (PIM), um dos maiores do Brasil, onde concentram-se empresas do segmento eletroeletrônico, o modelo foi aplicado com o apoio institucional das principais entidades empresariais, do Estado do Amazonas, como a FIEAM e a CIEAM, as quais contribuíram para a primeira sondagem do indicador no âmbito das empresas que detém recursos de Pesquisa e Desenvolvimento.

Os resultados, além de inéditos, são surpreendentes quando computamos as dimensões específicas do modelo (produtos, manufatura, estratégia, negócios, logística e interoperabilidade). Em cada dimensão pode-se mapear as suas principais variáveis e demonstrar os resultados desta 1ª percepção.

O desenvolvimento e a responsabilidade técnica do modelo, e da aplicação da pesquisa, é do Prof. Dr. Sandro Breval Santiago, Pós-doutoramento em Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina, Professor adjunto da Universidade Federal do Amazonas e Consultor do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento i Triad , mantido pela Triad Systems .

Na dimensão “estratégia”, aferiu-se que 92% dos colaboradores apresentam pouca/nenhuma habilidade digital, muito embora 57% da liderança reconheça importância da indústria 4.0, apesar de não está contemplada na estratégia da empresa. Segundo Prof. Sandro Santiago, na questão de mão-de-obra abre-se uma importante oportunidade para programas de capacitação. “As principais demandas estão nas áreas de manufatura avançada, IoT (Internet of Things), IA (Inteligência Artificial) dentre outras tecnologias aceleradoras”, destaca Sandro.

Um dado interessante na dimensão “manufatura” é que cerca de 14% das empresas ditam que atendem alguns requisitos e estariam preparadas para essa nova fase industrial. Vale o registro que apenas 6% possuem tecnologias autônomas, como o AGV (Automated Guided Vehicle). Um dado relevante é que 80% das empresas coletam, de forma sistemática, os seus dados fabris (durante a pesquisa evidenciou-se sistemas robustos de shop floor, ainda que com baixa integração).

A modelagem digital não está presente em 80% das empresas, onde foi constatado que alguns processos detinham tal tecnologia, com baixa relevância no processo geral de produção e capacidades. “Esse grupo de 80% que coleta os seus dados operacionais, já demonstra de certa forma uma preparação para os passos subsequentes da maturidade, a questão agora é usá-los para o processo de transformação digital”, destaca o pesquisador Santiago.

Na logística, 42% das empresas mapeadas possuem estoque em tempo real, com visibilidade em toda a cadeia de suprimento (SCM – Supply Chain Management), tal fato compromete a interoperabilidade, resultando uma redução do indicador principal. O compartilhamento de dados entre os elos da SCM apresentou que cerca de 57% das empresas, de alguma forma, disponibilizam os seus dados e, tal fato, é muito presente entre os fornecedores locais nos sistemas JIT (Just in Time) Kanban.

A segurança da área de TI é considerada como ponto relevante para a maioria das empresas, somente 28% não evidenciaram tal variável como ponto basilar para o processo de transformação digital.

Com base nas relações de cada variável, e suas respectivas dimensões, apurou-se para a amostra das empresas, o grau de maturidade e prontidão consolidado no valor de 2,54 (na escala do estudo que é de 0-4), ou seja, no nível de transição que representa, para a indústria local, alguns desafios a serem resolvidos quanto à indústria 4.0.

Como informação suplementar foi estratificado da base de dados, um importante segmento do setor eletroeletrônico que foi composto, na amostra, por 3 grandes empresas do PIM, nas quais foi possível aferir as diferenças entre elas, com totais de 2,84; 2,7 e 2,17 respectivamente. No ranking o maior índice apurado foi 2,93 uma empresa do segmento de fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e óticos com o número de 100 a 499 empregados diretos e indiretos.

Em parceria com o Instituto iTriad, o referido modelo está sendo aplicado nas empresas industriais no Brasil, respeitando seus ecossistemas de negócios e características de cada setor. A partir da aplicação do modelo é entregue a avaliação da Maturidade da empresa em relação a Indústria 4.0 e a elaboração de um Planejamento Estratégico com o Roadmap de projetos focados no ROI utilizando tecnologias da Manufatura 4.0.

Sobre o iTriad

O iTriad é um Instituto de Tecnologia privado, fundado em 2011. Com sede em Manaus, tem os objetivos de desenvolver, transformar e reinventar negócios por meio da tecnologia. Atua em projetos de Indústria 4.0, desenvolvimento mobile/web/desktop, desenvolvimento de hardware e embarcados, inteligência artificial e visão computacional, Internet of Things, incubação e aceleração de empresas e sustentação de ambiente de TI.

É credenciado pelo CAPDA (Comitê das atividades de pesquisa e desenvolvimento na Amazônia) e pelo CATI (Comitê da área de tecnologia da informação do MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação).

É mantido pela Triad Systems, empresa brasileira de TI, integradora e fábrica de software, com sede em São Paulo.

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