segunda-feira , 20 setembro 2021
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Controle inteligente de insetos urbanos

Por José Carlos Giordano e Bruno Quirino*

Vulnerabilidade a Riscos de contaminação é inadmissível

Bom dia, e com alimento seguro! A presença e proliferação de insetos e aves que infestam ambientes está ligada a dois fatores: condições favoráveis de abrigo e alimentação, que propiciam a reprodução desenfreada dessas pragas, que são resultado do desequilíbrio do próprio  homem.

Contaminação de roedores, insetos, pássaros, gera graves riscos aos produtos, problemas à saúde das pessoas e vulnerabilidades de alto potencial às instalações. Em suma, a segurança da qualidade do trabalho é comprometida. FATO: A necessária atividade de Controle de Pragas é a guardiã dos elementos básicos da vida humana: nossos alimentos, casas, saúde e conforto. 

Controles absolutamente necessários

Dois fatores fundamentais: limpeza dos ambientes e proteção física. Esses dois trabalhos implementados contribuem significativamente para a redução de infestações. A preservação de grãos por exemplo contra ataque de insetos emprega medidas que visam o controle em todas as fases de crescimento: ovo, larva, pupa e adulto. Processo de expurgo em grãos é feito com a utilização de fumigantes que penetram na massa de grãos matando os insetos dentro ou fora das sementes. Diversas variáveis definem a eficiência do tratamento: temperatura, umidade, impurezas e qualidade dos grãos. É empregado fosfeto de alumínio, que requer manuseio exclusivo por equipes autorizadas, dispondo dos vários recursos técnicos necessários para completa segurança. Outros métodos incluem nebulização, pulverização e polvilhamento com inseticidas, mas o risco de falhas é presente, podendo levar a grãos com residuais se não observados os prazos estipulados de carência.

Controle Inteligente de insetos e aves – Novo e definitivo Conceito

O uso indiscriminado dos praguicidas pode gerar efeitos colaterais. Falhas nas técnicas de aplicação, equipamentos inadequados ou a falta de seleção criteriosa dos princípios ativos levam a reduções aparentes de focos, que ressurgem após períodos de descontinuidade dos cuidados iniciais. Concentrações dos produtos abaixo ou acima do recomendado acarretam a longo prazo, adaptação das pragas aos efeitos previstos.

Os aplicadores necessitam de acompanhamento médico, treinamento regular e específico e conscientização sobre os riscos de contaminação de produtos e ambientes, bem como os seus próprios, em caso de possíveis incorreções.

Além disso, precisa-se prever: proteção dos equipamentos, clima, tempo de permanência do princípio ativo das áreas, periodicidade mais adequada, uso de produtos legalmente aprovados, escolha correta de empresas idôneas, aptas, legalizadas, embasamento das operações em procedimentos técnicos com atenção a riscos ambientais.

A própria agricultura intensiva, com o manejo integrado, (MIP) mostrou o caminho de como empregar o mínimo de produtos químicos, com eficácia, baixo custo e garantia de redução de contaminantes ao meio, às culturas e às pessoas. Nos ambientes sensíveis alimentícios, de embalagens, no agronegócio, controle é crucial. O anseio de um equilíbrio de ações, aplicado em áreas urbanas e industriais, leva ao CONTROLE INTELIGENTE DE PRAGAS URBANAS, que preconiza trabalho abrangente, incorporando recomendações preventivas e corretivas.

Objetivo é impedir que pragas urbanas se instalem, levando a danos e perdas. As Medidas preventivas compreendem educação das pessoas e a implementação de Boas Práticas de Fabricação, conjunto de normas obrigatórias na indústria de alimentos, fármacos, cosméticos, rações animais, embalagens e setores afins. As Medidas corretivas compreendem barreiras físicas que impeçam o acesso das pragas e correta colocação de indispensáveis armadilhas adesivas luminosas, para captura e identificação das espécies infestantes. Controle químico é presente, como um papel coadjuvante, complementar às orientações de limpeza e higiene, limitando abrigo – água – acesso – alimento às diversas pragas.

Etapas do Controle Inteligente – Visão Sistêmica do processo

A implementação do trabalho é obtida com uma série de atividades, onde as principais são:

1 – Divisão das instalações em setores, definindo um responsável, em cada área. É um interlocutor, o líder do setor. Tem sinergia direta com a CIPA, equipes ISO e GMP.

2 – Avaliação se as áreas definidas se caracterizam por riscos mais ou menos críticos, em caso de infestações. Níveis de criticidade 1/2/3, A/B/C, cores, etc. Usa-se se necessário a estratificação do PPRA ou setorização das áreas conforme HACCP.

3 – Criação de grupo multidisciplinar, envolvendo os responsáveis pela Qualidade, Produção, Segurança, Saúde e RH. Equipe coordenadora e integrada, conta com o apoio da diretoria para fazer acontecer com eficácia o programa. Força-tarefa / comitê contra as pragas a combater.

4 – Implantação de sistema de monitoramento, com registros técnicos documentados. Históricos irão determinar os parâmetros e ajustes. Empresas do segmento Food c/ normas ISO 9k, também tem desafio de atender certificações que exigem bem feito tudo que é feito.

5 – Etapa seguinte é a caracterização das pragas que infestam. Implica no conhecimento o das morfologias. Esse perfil de ocorrências é registrado em formulários, reunindo dados de focos, inspeções e indícios obtidos pelas armadilhas adesivas luminosas.

6 – A Visão macro do trabalho é embasada em ações de limpeza, higiene e arrumação, descritas nas BPF/GMP, Housekeeping, boas técnicas de armazenagem, nas orientações de APPCC / HACCP, nas legislações de higiene, normas de clientes e mercado, etc.

Apesar de todos os itens serem importantes, o Monitoramento é chave do sucesso do Controle. Aí se definem as melhores ações preventivas, detalhes das inspeções de controle, boas técnicas de tratamento e produtos mais eficazes p/ o conjunto de ocorrências. Monitorando se faz a análise de tendências de focos e danos, obtém-se os custos da Não Qualidade e com prevenção – a estratégia da guerra contra as pragas.

Ações Preventivas – Faça bem feito antes, o que deve ser feito

Aplicação do Programa de Controle Inteligente de Pragas prevê conjunto de ações fundamentais para minimizar os riscos de ocorrência de insetos, roedores e pragas de grãos.

As recomendações gerais, mínimas são as seguintes, num ambiente que ‘protocolos mandatórios’ são cada vez mais detalhados exigentes em minúcias:

As instalações não podem ter:

Possíveis pontos de entrada de insetos, ratos ou aves no ambiente, como falhas de vedação em tubulações, ralos sem proteção, portas e janelas mal vedadas, telas rasgadas ou soltas;

Janelas, vitrôs, portas, com vidros quebrados ou placas faltantes;

Acúmulo de água em drenos, ralos ou caixas de inspeção;

Vazamentos em dutos de água e torneiras que sirvam de hidratação às pragas;

Falhas na manipulação, retirada e descarte de lixo e inservíveis;

Presença de entulho, materiais fora de uso, caixas e embalagens mal armazenadas;

Mato e gramas não aparados, restos de comida ou cereais, farináceos;

Estrados com presença de infestações por cupim ou broca, ninhos de ratos ou aves;

Evitar Lâmpadas fluorescentes das áreas externas próximas às portas e acessos;

Quaisquer sinais de roeduras, fezes, trilhas, pegadas e ninhos de roedores devem ser notificadas, bem como mudas de pele, pena ovos, odores de pragas ou espécimes mortos;

Pontos de acesso devem ter telas efetivamente de # 2 mm ou cortinas plásticas;

Eliminar quaisquer resíduos que sirvam de alimento a aves, roedores e insetos;

Obrigatoriamente precisam ser desenvolvidos programas de limpeza e higiene, 5S, junto aos funcionários e comunidade;

Armadilhas luminosas devem ser estrategicamente posicionadas, conforme o fabricante;

Armadilhas eletrocutadoras não se aplicam em áreas sensíveis de alimentos bebidas fármacos embalagens e cosméticos.

Para iscagem de ratos, empregar recipientes próprios, sinalizados e mapeados, instalados em áreas de não produção; Espículas e fios tensionados caso a caso, contra aves.

Elaborar um manual técnico que registre todas as atividades, responsabilidades, históricos e ações corretivas do programa; Esse documento é obrigatório, atendendo as RDC Anvisa .

Quaisquer produtos utilizados no combate as pragas devem ser armazenados em local isolado, identificado, e com acesso controlado; Food Defense se aplica a essas áreas. Quaisquer produtos empregados precisam ter registro no órgão técnico federal para uso;

O lixo devidamente acondicionado ser retirado com frequência; Não devem haver juntas / frestas de mais 1 cm nos rodapés de portas; É muito recomendável o uso de cortinas de ar potentes e fluxo certo nos acessos; Eliminar ao máximo pontos de água alimento abrigo, propícios às pragas.

Ter profissional técnico conhecedor dos Princípios Ativos;

Indispensável boa iluminação e renovação de ar nas áreas; Produtos armazenados devem obedecer PVPS (primeiro que “vence” é o primeiro que ‘sai’); Necessário existir limpeza e inspeção diária na área de armazenagem; Redes devidamente instaladas são recurso eficaz contra pombos.

A temperatura e ventilação de armazéns / silos deve obedecer às recomendações técnicas para cada produto, bem como a umidade dos materiais armazenados e a umidade relativa do ar;

Indícios de casulos e teias, larvas ou traças, trilhas e grãos atacados devem ser notificados;

Parapeitos e beirais devem ter acabamento inclinado p/ evitar pouso e nidificação de pássaros; Paredes e superfícies lisas, com juntas de dilatação íntegras; Placas de cola é recurso útil.

Jamais deixar sacarias abertas, c/ vazamento de produtos que sirvam de alimento; Veículos e embalagens recebidos precisam ser inspecionados; Nunca deixar acumular fezes de pombos.

Cereais e grãos precisam ser monitorados através de iscas para detecção de ovos de caruncho, besouros, gorgulhos, etapas de pupa / larva, insetos adultos vivos, etc.;

Manter contato técnico com os laboratórios e fabricantes de praguicidas para troca de informações e atualização. Participar das feiras do setor e cursos técnicos, conhecer as associações de classe do segmento em cada região; Investir em consultoria Food Safety / GMP.

Divulgar a educação sanitária a todos os envolvidos com a fabricação e operações de produtos alimentícios, embalagens, bebidas, fármacos, rações, cosméticos. Atender a legislação pertinente, assuntos estatutários e regulatórios cumpridos.

Controle e uso racional de armadilhas – Aspecto Ambiental e de Sustentabilidade

No passado as simples “dedetizadoras” se limitavam à pulverização de inseticidas, propondo o “exterminio” de problemas via emprego de produto cada vez mais tóxicos.  Evolução técnica exige novas posturas, e necessidade de profissionalismo, empresas e pessoal detentor de tecnologias e trabalhos atendendo às exigências de Qualidade, Segurança e Eficácia, num Controle Inteligente de Pragas Urbanas – Amplo e Eficaz, estendendo à profilaxia de ambientes e emprego de armadilhas luminosas adesivas previstas nos procedimentos. Cada qual num posicionamento estratégico.

Em indústrias e armazéns, o monitoramento de higiene começa em trabalhos participativos de Housekeeping (5S), passa às recomendações das BPF/GMP. Estágio complementar culmina com técnicas de Análise de Risco e Pontos Críticos de Controle HACCP, que rastreiam situações não conformes. Na cadeia de produção de alimentos e afins – buscar a meta de atender certificações internacionais. A transição para um Programa de Cont. Inteligente constitui em processo de melhorias contínuas, planificando as ações de combate a pragas. Quem atua como especialista nessa área acaba sendo um terapeuta essencial do ambiente urbano. O uso de armadilhas luminosas é cada vez mais difundido e só traz benefícios como a Ultralight divulga nas mídias.  

Exigências contratuais nos tratamentos com produtos químicos em instalações estabelecem cada vez mais requisitos de prevenção a riscos, assegurando sistemas de confiabilidade. Junto com as várias normas ISO 9 e 14 k, muda as relações de prestação de serviços entre clientes e fornecedores sob a égide GFSI, que reserva espaço para armadilhas não químicas.

Na esfera mundial, desde 1984, a FAO, a OMS e PNUMA (Programa de las Naciones Unidas para el Médio Ambiente) frizam: “Deverá sempre ter-se em conta que os inseticidas constituem um complemento, mas nunca poderão substituir as Boas Praticas de Higiene nos estabelecimentos de alimentação”. Há quase 40 anos!

Mesmo embasado em ações preventivas de GMP com educação em Segurança para Alimentos e corretivas barreiras e armadilhas, o Controle Integrado requer apoio de praguicidas. Fica aí o desafio em viabilizar operações dentro de novos padrões, impacto de residual dos P.A. no ambiente, rastreabilidade nos tratamentos, qualificação do pessoal, certificação dos protocolos, fazem parte do cotidiano dos especialistas no assunto. Tudo se exige em Protocolos – conceito base da farmácia e cosméticos, num mínimo de recurso químico. O emprego de praguicidas em instalações que processam alimentos ou produtos de risco é visto em exigentes critérios de vulnerabilidades às BRC / PAS 220 / IFS / Global Market / FSMA / FSSC.

Já há precisos drones pulverizadores e recursos de última geração para controle de pombos, placas adesivas de captura de insetos voadores são hoje milimetricamente avaliadas. Estuda-se hoje em detalhes a ambiência e sua relação com insetos alados por exemplo. E armadilhas com respostas de capturas em tempo real. E tudo fazendo parte de exigências de auditorias!

O mercado pós-pandemia estimula parcerias e intensifica relações técnicas com empresas especialistas como Ultralight. O atendimento às premissas de produtividade (custo/ danos/ eficácia) e mitigar riscos à Qualidade e Ecologia são imprescindíveis. Tolerância zero para contaminações!

Concluindo, o Controle Inteligente de Pragas é revisto globalmente de maneira a atender essa nova e ampla consciência. Controle de Vulnerabilidades é essencial.

10 REQUISITOS PARA IMPLANTAÇÃO DE EFETIVO E EFICAZ CONTROLE INTELIGENTE DE PRAGAS URBANAS

1 – Prévio reconhecimento das instalações objeto de controle

2 – Informações sobre as pragas infestantes, sua sazonalidade e morfologia

3 – Avaliação do ecossistema envolvido e implicações ambientais

4 – Mapeamento correto das instalações a serem tratadas, por pontos críticos

5 – Avaliação do equilíbrio de custos, riscos e benefícios dos controles e armadilhas

6 – Criação de grupo técnico para coordenação dos aspectos e impactos

7 – Escolha de mpresa apta para o controle preventivo e operacional

8 – Sistema eficaz de treinamentos e monitoramento do programa

9 – Embasamento estratégico em Boas Práticas de Fabricação (BPF/GMP)

10 – Bom senso sempre!

* Prof. José Carlos Giordano e Quim. Bruno Quirino – JCG Assessoria em Higiene e Qualidade
www.jcgassessoria.com.br

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