quarta-feira , 26 junho 2019
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Requisitos GMP para selar um  ‘alimento seguro’

Requisitos GMP para selar um ‘alimento seguro’

Por José Carlos Giordano e Taline Fernanda Smanioto.

Estamos em novas perspectivas de crescimento econômico e marketing agressivo. Finalizando, esperamos, turbulentas situações por má gestão politica ética financeira, que o Brasil tenha intensificação nas relações de compra / venda e investimentos com a regulamentação previdenciária – assim seja, tomara será. Exportações (GM não vai mais embora rsrs!) é caminho para quem atende com competência.

Para satisfazer a essa demanda, mais serviços de inspeção são hoje requeridos na validação de serviços e produtos. Maior e melhor capacitação de pessoal é exigida para as expectativas de retomada Brasil / EUA. A tendência é de um controle intenso em homologação de plantas e serviços, numa clara demonstração da importância do Asseguramento da Qualidade. Mercado de alimentos exige num mundo 4.0 os 4 C: Confiança, Credibilidade, Consistência, Compromisso. O HACCP é mandatório para IFS, FSSC, Global Market, ISO 22.000 e rastreabilidade é palavra de ordem. Orientações normativas do BRC (Consórcio Britânico para o Varejo) se tornaram globais atendendo o que já abordamos anteriormente em GFSI e são pré-requisitos de fornecimento. Objetivo hoje é Assegurar – ‘Selar alimento seguro’. Símbolo de Verdade e Confiança, The Good Global Manager.

Há nefastas lembranças do passado: contaminações por dioxina na Bélgica há decadas e refrigerantes recolhidos na França. Economia belga abalada por notícias de contaminação química: 8,5 milhões de frangos segregados com prejuízo de US$ 750 milhões! Não menos significativa a retirada na França, de 50 milhões de latas de refrigerante, arranhando a credibilidade de 113 anos de uma das marcas de maior valor no mundo. Nos Estados Unidos 2,5 milhões de latas de leite condensado retiradas do mercado para assegurar ao consumidor segurança no consumo! No Japão 11.000 pessoas contaminadas com leite! E a mídia continua mostrando situações críticas. Foram os príons da carne, residual ITX na embalagem no leite longa vida italiano, Salmonela em frango espanhol e recall em ovos americanos. Espinafre com E. coli teve 3 óbitos e centenas de enfermos em 26 estados americanos , por uso de água contaminada na California. A repercussão do caso levou a perdas de US$ 100 milhões. Pastel de carne no Missouri EUA levou a 65 hospitalizações após 272 intoxicações também com Salmonela, recall a custo de US$ 30 milhões. Devoluções de manteiga de amendoim da ConAgra Foods que gerou 400 pessoas contaminadas, o dobro: US$ 60 milhões. Sucessivos ‘causos’ em cárneos Brasil dispensam comentários, as mídias e grupos Wsap falam diuturnamente por si.

O preço pelas falhas com certeza não é baixo. As 200 pessoas hospitalizadas pelo consumo do refrigerante na França e as 1.300 afetadas na Espanha ainda hoje são lembradas! A repercussão do surto no Japão foi mundial! Quanto desgaste, quanto prejuízo, pela não observância de cuidados básicos de qualidade em alimentos! Quanta repercussão, por detalhes, não atendidos! No Brasil não é diferente. Notícias alarmantes são prato cheio para a mídia. Ou deveríamos dizer prato vazio? Foi aftosa no plantel, salmão com parasita, caldo de cana e açaí com protozoário, ‘mussarelas’ vencidas, toxina do botulismo em queijo e torta de frango, recolhimento de leite achocolatado infantil, noticiários de pêlos … Consumidor até esquece, mas … relembra fácil.

A abrangência sem fronteiras dos problemas ocorridos com alimentos em situações tão distintas retrata a urgência em atender definitivamente as exigências de GMP e HACCP. Não apenas para satisfazer padrões dos importadores ou itens da legislação sanitária, mas é obrigação ética rever os pontos críticos que podem acarretar contaminações. Todas as etapas de cadeia alimentar carecem de análise crítica, detectando discrepâncias, buscando correções, implementando oportunidades de melhorias em toda rastreabilidade do produto.

Para enfrentar tais desafios cada vez mais presentes, necessidade de atualização técnica é urgente. Imprescindível acompanhamento das inovações em auditorias, dos cursos de atualização e das parcerias produtivas. É dar valor aos pequenos detalhes. Modernidade hoje é somar talentos, atendendo demandas crescentes.

Setores de marca própria, controles de biossegurança, OGM e “trans” no embarque, inspeção de embalagens e serviços, avaliação de “cliente oculto” em franquias, áreas de exportação / importação e a própria evolução da Garantia de Qualidade das empresas dão evidência de uma leitura cada vez mais aprofundada nas Boas Praticas de Fabricação. O HACCP alavanca um panorama de intenso domínio de pré-requisitos imprescindíveis. Os componentes da Qualidade exigem convicção real, incluem responsabilidades evidentes da direção da empresa no que tange a Gestão da Segurança dos Alimentos, administração de recursos e planejamento técnico da produção de produtos seguros.

Tal panorama reforça a importância fundamental do Food Safety avançado na indústria. O binômio Qualidade – Alimentos requer cumprimento de aspectos de higiene, saúde, meio ambiente, satisfação do consumidor, segurança, legislação, entre tantos outros. Tais requisitos implicam em sistemas que assegurem produtividade e eficácia em todas as fases da industrialização de alimentos e correlatos, íntegros e seguros. Sem obsolescências programadas em detrimento do consumidor que hoje se inicia nos processos 4.0.

Quanto o assunto é excelência em Segurança dos Alimentos, é prioritário agilizar forças para a redução de perigos. Senso crítico somado à tomada de ações, multiplicado pelas intervenções de treinamento. Fica aqui, mais um vez potencializada por ocorrências reais, a receita de prevenção e controle. Episódios de BSE (síndrome espongiforme bovina), pó de ferro em refrigerante, com repercussão no continente, medo da endemia H5N1, Trypanossoma cruzi no açaí, agulhas nos morangos esperamos nunca mais!

Validação dos processos requer atenção a detalhes, sistema que ‘sele’ realmente com a verdade as operações envolvidas na produção do alimento, rastreáveis num QR Code.

Garantia da Segurança e Boa Qualidade – Selo de Conformidade 

Uma das maiores preocupações dos consumidores na hora em que se sentam à mesa é saber se o produto que estão consumindo detém boa qualidade. Para combater a falta de qualidade e garantir a segurança ao consumo existem selos que validam segmentos específicos , como café (ABIC) e massas alimentícias (ABIMA). A adesão ao conceito de auto-regulamentação é crescente e bandeiras como Carrefour, Roldão e Floriani por exemplo já incorporam um novo selo, o do Palmito Seguro www.palmitoseguro.com.br . Assegura que o produto é seguro na sua condição sanitária e ambiental, produzido seguindo modernos conceitos tecnológicos e sanitários com respeito ao ambiente e saúde. O ritual técnico é exigente: A Governança do selo de Qualidade é dada por um instituto credenciado e regulamentado, para a concessão são previstas auditorias nas instalações e análises do produto. A gerenciadora do sistema administra documentações e adesões. Uma certificacão avalia o processo e na aprovação inclusive nas análises, emite o atestado de conformidade. Posteriormente a governança consolida os status da auditoria e das análises, não havendo discrepâncias o símbolo da Qualidade é outorgado e reavaliado periodicamente.

Propósitos GMP alinhados para resultados seguros e Selos de Confiança!

O profissional que se direciona ao setor de alimentos deve estar qualificado para atuar suprindo todos os requisitos. Capacitação em GMP / Boas Práticas de Manufatura e GAP (Boas Práticas Agrícolas) é item obrigatório. Atitude próativa é um diferencial frente a tudo e a todos, pois os programas de Qualidade tem ênfase preventiva. É vital descobrir erros antes que ocorram, O hábito degrada a percepção e as recomendações de GMP acabam se tornando ferramenta sempre em aperfeiçoamento, evitando riscos, ajustando a sensibilidade para a adoção da análise de perigos de forma concisa.

Cada pessoa, do mais simples operador ao diretor geral, devem vivenciar esse espírito maior em busca da qualidade. O discurso, a fala do site www podem ser bonitos, mas se a cúpula da empresa não liderar efetivamente, mostrando clareza e real empenho de mudar conceitos e atitudes, a implantação do programa ficará comprometida, sem consistência.

Treinamento – indispensável a todos – deve levar à compreensão que todos tem responsabilidade e autoridade pelo processo que conduzem, por menor que seja. São pessoas que previnem erros, fazendo Trabalho Certo Desde a 1ª Vez. Somatória dessa competência leva à otimização de resultados. É assegurar novos conceitos de gestão provendo educação continuada. Em Cont. de Pragas por exemplo, agora é GIP – Gestão Integral de Pragas, atendendo no  mundo norteamento da confederação CEPA européia.

Documentação dessa evolução é outro fator importante. Da mesma forma que gráficos de controle, de análises e medições, o registro das inovações introduzidas permite mensurar objetivos alcançados e projetar novas metas, originando um histórico de qualidade. Um efetivo ‘dossiê’ da operacionalização do Food Safety na empresa. É evidência objetiva de auditoria e melhoria, precisa e clara da espiral da excelência.

Comunicação dentro da velocidade de disputa de mercado é vantagem estratégica vital. Nesses diferenciais da concorrência pela melhor e mais ampla Qualidade, tem papel relevante. Cada pessoa, cada cliente-fornecedor dentro da empresa, passa a ser um agente de mudança que deve ter pleno acesso às ferramentas que geram os aperfeiçoamentos.

Seja através de programas motivacionais, comitês de melhorias, meeting group´s, células, quadro de sugestões, etc. é preciso constantemente canalizar energias para o programa de Food Safety manter-se sempre atualizado. Os itens, conceitos, vantagens e dificuldades da Qualidade devem ser discutidos, difundidos cada vez mais, extrapolando o perímetro da fábrica. Ela envolve parceria com entidades e fornecedores, conquista a diversa gama de consumidores finais e participa da comunidade onde a empresa se instala. Qualidade em alimentos reflete um compromisso de somatória de anos de iniciativas, reflexão e novas tentativas. Esse processo de maturação resulta na formação de uma nova cultura: a da Qualidade de Vida – que vem substituir mentalidades e modelos ultrapassados. É a viabilização de uma etapa emergente de algoritmos em relações e sintonias.

Cliente é na implantação de programas de Qualidade e Food Safety em indústria de alimentos (e em qualquer) fator decisivo. Representado pelo consumidor final caseiro, distribuidor intermediário, ou ainda por outra empresa industrial, é alvo das atenções e tem que ser atendido e superado em todas as suas expectativas.

Incremento da Qualidade numa indústria alimentícia e afins implica em muito trabalho, requer persistência e real interação de todos. Existem vários caminhos, muitas fórmulas escusas e diversas linhas nessas síndromes de ISO’s na busca dessa idílica assertividade. A capacitação pelo aprendizado com “expertises” é urgente, dá certo e não dói.

Como estão seus talentos / atitudes de hoje, para as demandas do amanhã ?

O elemento humano é a alavanca do programa. Nasce da pessoa a iniciativa de mudança do quadro antigo, do sem Qualidade, para a nova postura de querer fazer certo, Com Qualidade. Caberá ao grupo descrever e explicar as responsabilidades coletivas e conferir autoridade para ser permitir fazer o certo. É de toda a equipe a motivação, a habilidade contra a inércia, o anseio de eliminar “burrocracias”, desperdícios e retrabalhos.

Não será um diploma, bandeira de seda, ou uma placa de bronze / inox na entrada, que irão oficializar na fábrica, o programa de *Qualidade Total* ou Food Safety. É a consciência de cada funcionário, é o respeito pelo cliente, que almeja um produto íntegro e saudável, que irá valer a Segurança dos Alimentos. Antes da validação em HACCP, precisamos nos certificar sim, em sedimentá-la com GMP, procedimentos e atitudes próativas. Aos aprendizes e até mesmo agora aos drones e ciborgs I.A. que responderem a essa pró-atividade, parabéns. Estarão inseridos no contexto de que saúde requer responsabilidade e vigilância, atendendo requisitos para obtenção do alimento seguro. Símbolo de distinção da Qualidade e Segurança Alimentar.

Recomendações, como um tutor histórico que somos, continuam sempre necessárias. Há mais de 40 anos o guarda-chuva da proteção e prevenção – as “Umbrella GMP” – continuam sendo ferramenta para assegurar engajamento e compromisso para um produto bem feito. Com selo de Qualidade.

E produtos ‘selados’ e bem feitos, seguros e íntegros – é direito de todos.

Pensem nisso !

Prof. José Carlos Giordano – Diretor e consultor Food Safety
Biol. Taline Fernanda Smanioto – Assistente em Food Safety
JCG Assessoria em Higiene e Qualidade
www.jcgassessoria.com.br   
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