quarta-feira , 26 junho 2019
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Práticas adequadas de controle de pragas e implicações no Global Food Safety Iniciative em alimentos

Práticas adequadas de controle de pragas e implicações no Global Food Safety Iniciative em alimentos

Sinergia é alavanca do desenvolvimento, somando talentos da indústria e expertises para multiplicar resultados. Na Segurança dos Alimentos, GFSI traduz a somatória de grandes especialistas mundiais, congregando fabricantes, prestadores de serviços essenciais, serviços de alimentação, num alinhamento visando esquemas de melhorias na cadeia alimentar e correlatos. E o que é esse GFSI é exposto agora no 2A+ Alimentos!

Começou na resposta da Inglaterra e Bélgica em sistemas preventivos, visando evitar recorrência de surtos no ano de 2.000 na Europa. Famosa a contaminação Belga de dioxina em ração aviária / nos EUA recall de food pet, recall de refrigerantes cola com odor desagradável, Japão com toxina no leite / China idem leite com melamina / e na Itália com tinta. Ocorreram vários recolhimentos sérios de produtos. Melões com Listeria monocytogenes no Colorado resultaram em 146 pessoas infectadas e 30 óbitos. Alemanha um surto de E. coli em brotos cultivados em Hamburgo pôs a Europa em alerta. Brasil teve indenização de R$ 420 mil por achocolatado contaminado no estado de RS com produtos de limpeza. Há relevância no assunto e constante jurisprudência de altas indenizações, Brasil e mundo com recentes recalls em cárneos.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), perdas no processo produtivo de alimentos causadas por insetos no Brasil chegam a 20%. Média mundial a 10%. Existem vários pontos críticos no processo para início das infestações:

  • Equipamento de colheita ou transporte não limpos são pontos onde resíduos dos grãos coletados que ficaram impregnados podem conter pragas que serão dispersas na próxima colheita.
  • Sacarias reutilizadas geram locais que mantém condições de abrigo e farto alimento residual para a instalação das pragas. Durante o transporte, tem-se a disseminação das mesmas.
  • Em armazéns sujos conforme o grão ou produto armazenado, ocorre a infestação de diversas pragas, ocasionando dificuldades adicionais no controle.
  • Nos caminhões contaminados não ocorrendo tratamento adequado e higienização nos veículos de transporte, a contaminação e a dispersão das pragas se torna praticamente inevitável.
  • Em mercados alimento infectado (grãos, temperos, cereais matinais, rações) adquirido e levado para casa com ovos contidos no alimento, posteriormente iniciarão seu ciclo de vida (ovo-larva-pupa-adulto).

Grupos varejistas uniram-se então no foco de melhoria contínua nos planos de Gestão de Segurança dos Alimentos, em maior confiança no fornecimento de alimentos seguros nesse consumo. Tiveram divulgação representativa em maio de 2009 com a publicação das normas FSSC 22.000 (Food Safety System Certification). Tais documentos tinham paridade com a ISO 22.000 aplicada a alimentos e afins. Exigem correta execução de Protocolos – entre eles os de CIP (pragas) conduzidos adequadamente, consenso no mundo todo.

Tal grupo de afinidades criou o Global Food Safety Initiative – GFSI com requisitos convergentes, incrementando melhores práticas para esquematizar a cadeia de produção e comercialização de alimentos. Coordenado pelo CGF (Consumer Goods Forum) agrega representantes de peso, com ênfase em varejo. Origem dos primeiros trabalhos (CIES) deu-se na Belgica na década de 50!

Filosofia é calcada em reduzir riscos à Segurança Alimentar desenvolvendo competências e capacitação em bases internacionais eficazes e consistentes. Otimização dos processos atingida via redução de falhas aliada a melhores eficiências de operação, adotando Seis Sigma, FMEA, SWOT, Lean.

Food Safety não é só vantagem competitiva – é obrigação dos fabricantes – da commodity ao produto na mesa do cliente. Mercados exigentes criam dinâmica global de mais negócios da cadeia de valor. A sempre lenta revitalização econômica América Latina exige em contrapartida do produtor, das indústrias e varejo, critérios de segurança e qualidade em todas as plataformas. Itens em desacordo geram perdas em toda a cadeia. Muitas empresas em madura visão de futuro não só seguem os protocolos fixados, como buscam estar à frente das exigências de segurança do produto. É engajamento e ação pró-ativa, com trabalho sério em GMP e HACCP.  Food Safety de verdade, embasado em Selos de Qualidade para cultura e comportamento. Inadmissível uma fábrica interditada!

Ser o melhor, na soma do melhor de talentos

 As prioridades do Consumer Goods Forum foram estabelecidas em 5 visões:

  • Novas tendências
  • Sustentabilidade
  • Segurança e Saúde
  • Excelência Operacional
  • Partilha de Conhecimento e Desenvolvimento de Pessoas

Originalmente esse grupo se iniciou com 7 supermercados!  Idéia central em Paris foi a troca de conhecimentos e a somatória de forças.  Criada em junho de 2009 pela fusão de 3 alianças européias:

CIESFood Business Forum (Comité International d’Enterprises à Succursales)

GCIGlobal Commerce Initiative e o Global CEO Forum.

Alicerce dessa pirâmide tem estratégia comercial base do varejo. A bandeira é “Uma vida melhor através de um melhor negócio”. Atuação dos altos dirigentes proporciona mudanças na visão sistêmica no varejo global. Indústrias e parceiros Private Label precisam se adequar as diretrizes. Entre parâmetros cruciais, sempre protocolo Controle de Pragas é citado. Inexiste auditoria em que não pese.

No estágio inicial de implantação, os requisitos básicos correspondem 70 % em GMP – Boas Práticas de Fabricação ou Good Manufacturing Practices. Também no estágio intermediário, que contempla APPCC (HACCP).

Evolução das necessidades em segurança hoje incluem rígidos protocolos em Food Defense evitando riscos intencionais, alergênicos, estudos em adulterações e vulnerabilidades como CARVER Shock, e outros mais que surgirão do estudo científico. Em Cont. de Pragas a confederação CEPA europeia já existe e aplica.

Guarda Chuva UmbrellaGMP,  agora no 2A+ Alimentos  

Nossa marca registrada no Brasil pela JCG Assessoria desde 1º de outubro de 1999, o símbolo do ‘guarda chuva verde’ propicia sistema de garantia coerente de qualidade, igualmente criado por grupos varejistas europeus Alemanha e França, motivados pela certeza de consumidores cada vez mais exigentes. Casos de sabotagens químicas em leite na Itália, China, Brasil e outras situações como barata em lata de leite condensado – constrangedoras e perigosas não podem ser imagináveis! Esse tipo de risco é preocupação que tira o sono dos empresários. Todo dia surge na mídia um caso sobre infestação.

O desafio de tentar ‘prever a imprevisibilidade’ precisa ser constante. 

Os estudos incluem validação de rastreabilidade, cuidados com alergênicos, políticas de vidros / metais e biodefesa / contaminação intencional.

Toda essa atenção com biosegurança tem sua razão num mundo fragilizado e vulnerável a más intenções. Proteção à sabotagem / adulteração !

Auditoria é recurso para aprimorar e validar a Gestão de Segurança dos Alimentos (SGSA exigido na ISO 22.00:2019) não só interno como principalmente o de fornecedores de insumos, serviços e embalagens.

Quem deu bases de 22.000 (Europa de novo!) equivalentes com a ISO 9001, foi a CIAA – Confederation of the Food and Drink Industries of the European Union. Elaboraram a ISO 15.161:2001 que forneceu alicerce para a posterior versão mundial que consolida a Gestão de Segurança dos Alimentos.

Essa mesma CIAA em 2008 detalhou os pré-requisitos que deram credibilidade no controle de perigos resultando na Public Available Specification – Inicialmente PAS 220:2008. Uma alquimia bem sucedida dos melhores especialistas. Outras ‘PAS’ foram desenvolvidas na Europa como 223 – aplicada a fabricação de embalagens para alimentos e bebidas. Necessários protocolos de Controle de Pragas de áreas sensíveis. Muito bem feitos, validados e auditados. É upgrade em todas as áreas, das matérias primas à armazenagem, sensível a pragas.

Qualificação de fornecedores e capacitação de pessoal tem sido pré-requisito hoje  exigido para fazer frente aos padrões 22.002-1e BRC. Cultivar talentos é crucial para evitar assimetrias e ‘desinteligências’. Começa na conscientização básica em 5 S > cresce com  Boas Práticas de Fabricação GMP na prática bem feita > se aperfeiçoa no HACCP  sempre revisado > lapida-se com ferramentas PDCA / FMEA (Failure, Mode and Effect Analysis) / (Lean Manufacturing (Manufatura Enxuta) / 6 Sigma > evolui na ISO 22.000:2019 , e passa para as certificações FSSC, BRC, Global Gap, IFS.

É o nível de seguridade que precisamos dominar, contrapondo riscos de falhas que vão determinar as etapas seguintes. Desenvolver os fornecedores é sempre mais barato do que arcar com custos da ‘Não Qualidade’.

Num congresso da ILSI Brasil (International Life Sciences Institute) o prof. em Toxicologia e Saúde Pública Dr. Flavio Zambrone atestou que Não existe atividade humana sem risco. Nem sempre o risco percebido é o risco calculado, e crescimento social implica em entender esses riscos!”. Avaliação das Métricas de Riscos e Cálculo de Incertezas é horizonte sem fim. E em Controle de Pragas é sempre evolução. O termo hoje adotado é Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas. Sinantrópico (do grego “syn” – junto, e “anthro” – humano) se refere ao controle de pragas que se adaptaram a conviver nos mesmos espaços do homem. Em abordagem abrangente, o Controle de Vetores e Pragas evolui para integração de diferentes técnicas e estratégias de controle. O Controle Integrado de Pragas (CIP) busca através de abordagens:

  • Inspeção e planejamento em ter o máximo de informações relativas à edificação, seu entorno, falhas estruturais, arquitetura local, métodos de produção e armazenamento, acondicionamentos e descartes.
  • Identificação das espécies detectadas é fundamental conhecer as instaladas na estrutura. Sem identificação correta e conhecimento do ciclo e biologia dessas pragas alvo, todo o processo de controle tem risco de ter sua eficácia seriamente comprometida.
  • Determinação dos objetivos em estabelecer níveis de ocorrência de pragas e quais áreas críticas merecerão mais criterios. Aplicação de ferramentas tipo FMEA / HACCP / 5S são absolutamente indispensáveis.
  • Grande Limpeza e Organização leva a manutenção de conjunto de procedimentos de higienização para dificultar a presença de pragas, com remoção de vegetação no entorno, manutenção e higienização de equipamentos e utensílios, armazenamento adequado de produtos, etc.
  • Execução eficaz dos tratamentos adotando medidas curativas e preventivas, com avaliação dos graus de criticidade dos ambientes. Métodos físicos / mecânicos devem ser considerados. Emprego de produtos químicos analisado de acordo com o uso do local. O emprego  deve seguir a análise de qual objetivo a alcançar: Baixar infestação via DL50 baixo dos praguicidas? Deixar ação residual no ambiente? Provocar desalojamento da praga? Atuar em rodízio de princípios ativos, evitando acomodação de resistência?
  • Educação Sanitária Constante é prover treinamento para colaboradores sobre a importância de ter higienizado e organizado um ambiente, conscientização da necessidade de manutenção das áreas periféricas, onde pragas buscam a invasão dos locais. Fazer o colaborador peça chave no processo, o responsável por ações preventivas de controle.

As linhas de todos os esquemas globais convergem para a ‘Gestão de

Segurança de Alimentos’ que é o controle do perigo e redução dos riscos.

As cinco abordagens padrão, nas certificações são:

  • 1 Responsabilidade da Direção e identificação de requisitos
  • 2 Processo de produção e realização do produto (ou serviço)
  • 3 Sistema de Gestão da Qualidade
  • 4 Gestão de recursos (infraestrutura / pessoas e investimento)
  • 5 Avaliação / Medição, Análises e Melhoria

O upgrade das Melhores Boas Práticas se reflete em todas as vertentes de trabalho. Inaceitável uma instalação fechada por falta de higiene!

O FDA (Food and Drug Administration) e USDA (United States Department of Agriculture) usam ferramentas de análise de riscos para mensurar ameaças e vulnerabilidade nos sistemas de elaboração de produtos alimentícios, onde ‘pragas’ é item de atenção e detalhe. Modêlo CARVER por exemplo, implica em analisar criticamente os processos quanto a:

CCritically, no tocante quanto a medida de impactos à saúde, danos, de uma contaminação por praga presente ou seus excrementos / rastros / restos.

AAcessibility, pertinente a facilidade de interação física do vetor/praga com seu agravo junto ao alimento em questão.

RRecuperability, possibilidade do processo ser corrigido, ser recuperado frente a sequela de uma infestação ocorrida.

VVulnerability, vulnerabilidades existentes, falhas não atendidas / não previstas em todo plano GMP, que deveria proteger o sistema / cadeia de manufatura.

EEffect, previsão das perdas, o efeito direto proveniente da falha, não conformidade maior da ocorrência avistada da praga e / ou criticidade do indício.

RRecognizability, capacidade de detecção do vetor / praga, identificação da situação crítica capaz de gerar contaminação e / ou acidente.

Tal metodologia é similar na avaliação de riscos ambientais e sinistros, com a matriz de aspectos e impactos. Percepção de pragas é percepção de risco.

Na engenharia, se assemelha ao FMEA (Failure Modes and Effects Analysis) que foi a base por sua vez do HACCP (Hazard Analysis Critical Control Point).

Prevenção de problemas de contaminação por pragas’ é frase chave e a execução atenta aos procedimentos operacionais, com treinamento constante das equipes, são obrigatórios. Artigos técnicos JCG Assessoria em Segurança dos Alimentos são conhecimento necessário já há 39 anos.

Nessa esfera de conhecimento em CIP, cabe prioridade uma visão prática, profissional e competente. Interagem pré-requisitos, valores, habilidades e conhecimentos numa gestão de cultura Food Safety aferida com indicadores de desempenho. A inocuidade, o ‘quão tão bem estamos’ é meta dos engajados em considerar quesitos fundamentais de monitoramento e controle de pragas.

Se não é no apelo técnico / científico onde labutamos com a UmbrellaGMP que se obtém a implantação GMP & HACCP bases do  Food Safety, será então obrigatória no apelo comercial de novos mercados abrangentes e  exigentes. Grandes grupos mundiais em Food & Beverages já exigem uma ‘governança’ dessa certificação, com requisitos detalhados e interpretações consistentes.

Integração Latinoamericana tem uma ‘chamada’ que o GFSI contempla: Knowledge and Network. E ambientes e processos protegidos de infestações, é absolutamente fundamental para alimentos e bebidas seguros.

Pense Nisso! Obrigado.

Prof. José Carlos Giordano – Diretor e Consultor em Food Safety ([email protected])
Biol. Taline Smanioto – Assistente em Food Safety
www.jcgassessoria.com.br
JCG Assessoria em Higiene e Qualidade

 Referências:

www.mygfsi.com
www.theconsumersgoodsforum.com
www.ifs-certification.com
www.brcglobalstandards.com
www.KPMG.com
www.ilsi.org/documents
www.higienealimentar.com.br
www.aibinternational.com
www.npmapestworld.org

CHAVES, L. E. L. MIP – Manejo Integrado de Pragas. In: MENDONÇA. B. F & GENNARO, M. Manual de Controle de Vetores e Pragas Sinantrópicas. 1ª.ed. São Paulo. Brasil. APRAG, 2016. p 259-273.

SARTORI, M.R. Novos Passos no Controle Integrado de Pragas. Revista Vetores e Pragas. Rio de Janeiro. Brasil. Ano II, nº 5. ABCVP, 1999. p 8 – 12.

JOSÉ CARLOS GIORDANO, MARIO GILBERTO GALHARDI. Controle Integrado de Pragas. Campinas SP Brasil SBCTA,

Série Manuais Técnicos ISBN 85-8998-01-3

2003 149 p

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